A decisão da 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª
Região) de confirmar por unanimidade, nessa quarta-feira (24), a
sentença do juiz Sergio Moro não irá alterar o planejamento da agenda
política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta
quinta-feira (25), uma reunião extraordinária da Executiva Nacional do
PT, em São Paulo, irá reafirmar que Lula é o candidato do partido na
eleição presidencial, marcada para 7 de outubro.
Em teoria, a condenação de Lula pelo TRF-4 impediria a participação
de Lula no pleito em função da Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo
petista em 2010, último ano de seu segundo mandato. Recursos no TSE
(Tribunal Superior Eleitoral) e nas instâncias superiores, porém, devem
manter seu nome na disputa no mínimo até meados de setembro.
Mesmo condenado, ele poderá registrar sua candidatura em 15 de
agosto, prazo máximo estipulado pelo calendário eleitoral. Após essa
data, começa o andamento do processo de avaliação do registro de
candidatos com pendências na Justiça. Respeitados os prazos mínimos, não
haverá resposta antes de meados de setembro.
Esse é um dos motivos que faz o PT e Lula manterem compromissos com
fins eleitorais. Após uma viagem à Etiópia para o encontro da União
Africana, marcado para 27 de janeiro, Lula deverá se concentrar nos
últimos detalhes da “Carta aos Brasileiros”, que deverá ser apresentada
em fevereiro, perto do aniversário do partido, no dia 10.
Após o Carnaval, Lula fará sua quarta caravana pelo país. Depois do
Nordeste, parte de Minas Gerais e dos Estados do Espírito Santo e Rio de
Janeiro, o petista visitará o Sul do país, onde esteve em ato na
véspera da condenação. O roteiro deve ser apresentado nesta
quinta-feira. Outras caravanas também estão previstas para antes do
período eleitoral.
O Fórum Social Mundial, que acontecerá em Salvador entre os dias 13 e
17 de março, servirá de base para formatação de seu programa de
governo. Representantes do Instituto Lula, da Fundação Perseu Abramo,
ligado ao PT, e membros da coordenação de seu programa pretendem, em uma
tenda no evento, debater temas que devem integrar a plataforma do
ex-presidente na eleição. Lula deverá participar do evento.
Em entrevista ao UOL na semana passada, o ex-prefeito paulistano
Fernando Haddad, que coordena o programa de Lula e é um dos autores da
“Carta aos Brasileiros”, disse que o primeiro semestre servirá para
debates a respeito das propostas do pré-candidato petista.
“Nós temos até junho para elaborar o plano de governo. Temos
praticamente o primeiro semestre inteiro. Nós vamos fazer caravanas
programáticas, presenciais, vamos fazer encontros virtuais, usar as
plataformas para ouvir a população”, comentou. Haddad diz que a
formatação do programa servirá como “instrumento de mobilização” nos
primeiros meses do ano.
A agenda política de Lula, porém, estará misturada a compromissos com
a Justiça. No próximo dia 20 de fevereiro, por exemplo, ele será
interrogado em um dos quatro processos em que é réu na Justiça Federal
no Distrito Federal.
O calendário de compromissos eleitorais ainda pode sofrer um revés.
Com a condenação em segunda instância, Lula poderá ser preso para
começar a cumprir sua pena. A ordem só deve ser determinada assim que o
processo transitar em julgado na segunda instância.
Líderes petistas consultadas pela reportagem nos últimos dias se
recusam a avaliar a possibilidade de Lula ser preso. O partido não
trabalha com uma eventual ordem de prisão contra seu pré-candidato ao
Planalto. “Não está no nosso horizonte a questão da prisão do presidente
Lula”, disse a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, ao
UOL. “Agora, uma condenação injusta, contra ela nós vamos nos rebelar.
Isso [prisão] criaria uma comoção nacional.”
Os advogados de Lula também disseram não acreditar em uma prisão
imediata. Para José Roberto Batochio, “o ex-presidente não oferece
nenhuma periculosidade. É uma hipótese exagerada e realmente
desnecessária”. A defesa deve entrar com recursos contra uma ordem de
execução de prisão caso isso aconteça. “A defesa vai utilizar de todos
os meios legalmente previstos para impugnar a decisão”, complementou
Cristiano Zanin em entrevista após a decisão do TRF-4.
O próprio ex-presidente disse não estar preocupado com uma eventual
prisão. “Eu não tenho a preocupação que eles acham que eu vou ter. Eles
não podem prender um sonho de liberdade, não podem prender as ideias,
não podem prender a esperança. Podem prender o Lula, mas a ideia está
colocada na cabeça da sociedade brasileira”, bradou o petista durante
ato na Praça da República, região central de São Paulo.
Mesmo condenado em segunda instância, Lula mantém agenda política
Reviewed by Litroral Já
on
janeiro 25, 2018
Rating: 5
Nenhum comentário
Deixe aqui o seu comentário!