Ministros de tribunais superiores recebem auxílio-moradia
Alvo de discussão e repercussão nos últimos
dias, o auxílio-moradia, recebido por juízes e desembargadores, deve ser
analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em uma ação que questiona
a legalidade do benefício estendido a toda a magistratura nos próximos
dias. Só nos tribunais superiores, 26 ministros recebem dos cofres
públicos auxílio-moradia para viver em Brasília, mesmo tendo residência
própria na capital. O levantamento foi realizado pelo jornal Folha de S.
Paulo e publicado nesta quinta-feira (1º).
O teto salarial da magistratura é de R$ 33,7 mil, valor recebido
por juízes do Supremo Tribunal Federal (STF). Nós demais tribunais
superiores, a remuneração cai para R$ 32.075,00. No entanto, muitos
chegam a receber acima do teto devido aos diversos benefícios a que a
categoria tem direito, como por exemplo, o próprio auxílio-moradia.
Atualmente, o valor do benefício é de R$ 4,378. Com o acréscimo, o
valor do salário sobre para pouco mais de R$ 38 mil.
Para chegar ao número de magistrados que recebem o benefício mesmo
tendo residência própria em Brasília, local em que as cortes superiores
estão instaladas, o jornal Folha de S. Paulo pesquisou em cartórios da
capital federal e nas folhas salariais dos ministros do Superior
Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça(STJ), do
Tribunal Superior do Trabalho (TST), do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) e do Superior Tribunal Militar(STM).
No Supremo, dos 11 ministros, e também no TSE, nenhum deles recebe o
benefício. Já no STJ, dos 33 magistrados, 17 recebem. Desses, 12 têm
residência própria. No TST, dos atuais 26 ministros, 15 recebem e 11
deles possuem residência em Brasília. Já no STM, dos 15 juízes, quatro
recebem e apenas um deles não tem residência na capital.
“A presidente do STJ, Laurita Vaz, e o vice, Humberto Martins,
estão entre os que recebem o auxílio-moradia e, ao mesmo tempo, são
donos de imóvel próprio em Brasília. Segundo os registros em cartório,
Laurita tem em seu nome um apartamento de 246 m², localizado na Asa Sul.
O seu vice também tem imóvel na mesma região. Martins mora no mesmo
prédio do ministro Francisco Falcão, ex-presidente do STJ. Com o
apartamento de alto padrão registrado em seu nome, Falcão também recebe
auxílio-moradia”, conforme aponta a reportagem dos jornalistas Ranier
Bragon e Camila Mattoso. A ministra Maria Isabel Gallotti, de acordo com
a reportagem, tem em seu nome dois apartamentos, uma casa e um lote.
“No TST, entre os beneficiários, está o futuro presidente do
tribunal, João Batista Brito Pereira, que assume o comando no próximo
dia 26 de fevereiro. Outro nome é o de Renato de Lacerda Paiva,
corregedor-geral da Justiça do Trabalho, dono de uma propriedade em um
condomínio. Já no STM o presidente do tribunal, José Coêlho Ferreira,
recebe e tem em seu nome, segundo registros cartoriais, um apartamento
na Asa Sul e 20% de outro na mesma quadra”, aponta o texto. Outros dois
ministros da Corte militar também estão na mesma situação.
O valor de R$ 4.378 passou a valer em outubro de 2011, por decisão
do STF. Na ocasião, apenas o ministro Luiz Fux recebia o benefício. Em
2014, em uma ação que contestava o benefício, Fux concedeu liminar
estendendo o pagamento do auxílio-moradia a todos os juízes do país,
mesmo aos que tinham casa própria nas cidades onde trabalhavam. Desde
então, apesar da situação ser imoral, é legal.
No final do ano passado, Fux, que havia decidido apenas em liminar
(decisão provisória), liberou as liminares para análise do plenário do
STF. No início deste ano, a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, avisou a
dirigentes de associações de magistrados que vai colocar em votação, no
início de março, a ação que pode acabar com o auxílio-moradia.
Conforme revelou o site BuzzFeed, também no Rio, a desembargadora
Marianna Fux, do Tribunal de Justiça do estado, recebe o auxílio-moradia
de R$ 4,3 mil mesmo tendo dois imóveis no Leblon, bairro nobre da
capital fluminense. Marianna é filha do ministro Luiz Fux.
Contrariando resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que
proíbe a remuneração a casais que morem sob o mesmo teto, o juiz Marcelo
Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio, e sua esposa, Simone Diniz –
também magistrada –, recebem o auxílio-moradia de R$ 4,3 mil cada um.
No total, o casal, recebe R$ 8,6 mil mensais. O pagamento aos dois é
alvo de questionamento na Ouvidoria da Justiça Federal. Ainda de acordo
com o CNJ, a ajuda para auxílio-moradia deve ser “requerida” pelo
magistrado, ou seja, cabe a ele pedir o recebimento do dinheiro ao
tribunal.
Em resposta ao jornal, os três tribunais citados na reportagem
(STJ, STM e TST) afirmaram, por meio de suas assessorias, que não existe
ilegalidade no pagamento de auxílio-moradia para ministros que têm
imóvel em Brasília por estarem amparados pela decisão do ministro Luiz
Fux.
Congresso Em Foco

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