Deputado cutuca babões, reafirma voto em Cícero e João e dispara alerta: “João já foi traído”
O deputado estadual João Gonçalves (PSB) voltou a incendiar o debate político na Paraíba durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa desta sexta feira (28). Entre previsões, recados cifrados e puxões de orelha, ele afirmou que já previa o rompimento entre o prefeito Cícero Lucena e o governador João Azevêdo, lembrou que o governador já foi traído no passado e deixou um alerta público para que ele abra o olho mais uma vez. João garantiu que a candidatura de Lucas Ribeiro é legítima, mas manteve sua postura de equilíbrio curioso declarando voto em João Azevêdo e Cícero ao mesmo tempo.
Ao ser perguntado diretamente em quem vai votar, João preferiu escapar. Disse que vota nos dois e, brincando com a provocação do repórter, afirmou que não possui dois títulos eleitorais. Segundo ele, fazer campanha eleitoral a essa altura seria crime eleitoral e o que deseja mesmo é que as duas forças políticas ainda possam se acertar. Ele afirmou não ter fonte privilegiada sobre bastidores, mas repetiu que na “política o pior acordo ainda é melhor do que uma briga”.
João fez questão de trazer um episódio que guarda como referência. “Há um ano atrás, em reunião na Granja, João Azevêdo juntou a bancada inteira salvo Daniella Ribeiro e pediu união. Foi nesse momento que alertei o governador dizendo que, se aquele grupo permanecesse unido, revezaria o governo por trinta anos, mas se rompesse seria o fim”. Segundo ele, o PP nunca resolveu sua disputa interna e a divisão atual é fruto dessa desorganização.
Indagado sobre a candidatura de Lucas Ribeiro, João classificou como natural e legítima, mas ressaltou que em política só existe uma regra, juntar para ganhar. “Eleição se vence com unidade e que ainda é cedo para decretar qualquer definição, já que faltam onze meses para o pleito”.
O deputado também expôs que não toma partido agora porque não quer comprar briga de ninguém. “Estou embaixo do muro e dos dois lados do muro ao mesmo tempo, sou amigo de Cícero quanto de João e não pretendo virar inimigo de ninguém por escolha alheia”.
Afirmou ainda que só na hora da formação da chapa terá de optar por um lado, mas até lá seguirá como está. Admitiu ainda que perdeu uma solenidade de Cícero para participar do programa e mandou um recado. “Governista babão nenhum o censura, porque o que diz em público é para todo mundo ouvir no rádio ou na TV”.
Ao ser provocado sobre quem seriam esses babões, João respondeu que são vários e que esse tipo de postura alimenta a briga dentro do grupo. Negou que exista apenas um articulador da divisão, mas sim pessoas com interesses comuns. Disse também que nunca foi chamado para discutir o entendimento político entre os Ribeiros, o governador e os acordos antigos. Segundo ele, ninguém abre o jogo e ele só sabe das coisas porque observa, não porque alguém o informa.
Num dos momentos mais fortes da entrevista, João relembrou que avisou ao governador, um dia antes da eleição para a Mesa da Assembleia, que ele perderia o comando da Casa. Disse que conversou com todos, sabia que a ruptura aconteceria e alertou como amigo e não como delator. Acrescentou que não revelaria quem traiu, “não sou é cagueta, mas fiel”.

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